Lula afirma: Quero estar no Brasil para confirmar nomeação ao STF

Após sua estadia na Malásia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva retornou ao Brasil nesta terça-feira (28) e, ao ser questionado sobre a indicação para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF), preferiu postergar qualquer comentário. Ao deixar o hotel em Kuala Lumpur, respondeu aos jornalistas com a frase: “Deixa eu chegar no Brasil”, sinalizando que irá tratar do assunto pessoalmente em Brasília.
A cadeira no STF ficou vazia após a aposentadoria antecipada do ministro Roberto Barroso, ocorrida em 10 de outubro. Com a saída de Barroso, cabe ao presidente da República nomear um substituto para o cargo vitalício, seguindo os ritos constitucionais. Entre os nomes que circulam nos bastidores, destaca-se Jorge Messias, atual ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), como o mais provável indicado para o posto.
Historicamente, desde a redemocratização, os presidentes brasileiros levam em média 42 dias para anunciar novos ministros ao Supremo. Na gestão atual, porém, as nomeações já registraram um tempo superior, na ordem de 50 dias. A demora pode refletir não apenas a complexidade do momento político, mas também a estratégia do governo para alinhar a indicação com interesses mais amplos do Executivo.
A indicação ao STF é um dos atos mais relevantes do presidente da República, uma vez que interfere diretamente na composição de um órgão que exerce poder judiciário supremo e impacta o equilíbrio entre os poderes. Para um governo que tem sido marcado por polarização e disputas intensas no cenário político, a escolha de um novo ministro pode ser interpretada como uma tentativa de consolidar influência em um dos órgãos com maior capacidade de decisão sobre temas sensíveis à nação.
Por outro lado, quando o presidente adota um tom de cautela e evita antecipar sua decisão, isso pode indicar a intenção de evitar pressões políticas ou críticas antecipadas, especialmente numa conjuntura em que o Supremo tem papel central em julgamentos que afetam o governo e a sociedade. A nomeação de Jorge Messias, ministro da AGU, reforçaria uma escolha alinhada com o Executivo, o que pode ser visto com ressalvas por setores que defendem maior independência do Supremo.
É importante destacar que, para além da simples substituição, a indicação de um novo ministro ao STF tem implicações de longo prazo para o país. A composição da corte pode definir rumos para políticas públicas e direitos fundamentais. Portanto, o momento exige precaução e responsabilidade, elementos que parecem orientar a postura do presidente Lula, ao preferir tratar do assunto somente após seu retorno ao Brasil.
Em suma, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva retoma suas atividades em Brasília com a responsabilidade de preencher a vaga deixada por Roberto Barroso no STF. A expectativa recai sobre a possível nomeação de Jorge Messias, figura próxima ao governo, enquanto o tempo maior para a indicação em relação à média histórica sugere uma análise cuidadosa diante do cenário político atual. Resta aguardar as próximas semanas para que o Executivo oficialize a escolha que poderá influenciar o Supremo e o país por décadas.



