O que restou do caráter?

Família, Escola e Fé — a base estrutural da sociedade
Você já parou para pensar no que é o caráter? Quando começa a formação do caráter de uma pessoa? Alguns dizem que ele nasce do berço, outros que é moldado pela vida. Mas o que vemos hoje é que a base que forma o caráter — a família — está sendo destruída. Durante séculos, a família foi o primeiro espaço de respeito, amor e aprendizado. Era ali que se aprendia a dizer por favor, com licença, obrigado e também a ouvir um não. Hoje, o mundo parece ter virado ao contrário: o não virou ofensa, a autoridade virou opressão e o respeito virou fraqueza.
E não é só na Europa. Essa desestruturação já se espalhou pelas Américas, pelo Brasil, pelo mundo inteiro. Tudo em nome de uma tal de “modernidade” que prega liberdade, mas esquece o limite. Criam leis e mais leis — de proteção à criança, ao adolescente, à mulher — todas falam de direitos, mas nenhuma fala de deveres. E aí vem a pergunta: por que temos o Dia dos Direitos Humanos, mas não o Dia dos Deveres Humanos? Vivemos numa sociedade onde todos exigem, mas poucos se comprometem. Querem o direito de falar, mas não o dever de ouvir. Querem o direito de ser respeitados, mas não o dever de respeitar. E quando o dever desaparece, o caráter também desaparece.
A destruição começou quando o sistema decidiu desconstruir a família. Ridicularizaram o casamento, banalizaram o amor, transformaram o corpo em produto e o desejo em regra. Disseram que “namoro, noivado e casamento” são coisas ultrapassadas. Mas o resultado dessa “liberdade moderna” está aí: gerações perdidas, lares desfeitos, filhos sem referência e uma juventude sem rumo. E quando a família cai, o que sobra? A escola. Mas a escola também está doente. Universidades que deveriam formar cidadãos hoje produzem formados sem formação. Dentro delas, o que impera é a bagunça, o desrespeito e o vazio moral. Drogas, orgias, militâncias vazias — e o conhecimento? Fica esquecido nos corredores.
Outro dia, um professor me disse: “Está difícil, Mário. Os alunos não respeitam, não aprendem, não querem nada.” E eu respondi: “Professor, e os professores? Estão preparados?” Porque quando vemos concursos públicos com candidatos diplomados que não sabem escrever uma redação nem interpretar uma frase simples, percebemos que o problema é muito mais profundo. A estrutura está corroída. E o que deveria formar o caráter — a educação — virou apenas um papel pendurado na parede. Estamos criando uma sociedade de diplomas e não de valores, de direitos e não de deveres, de palavras bonitas e ações vazias. E tudo isso tem um preço: a perda do respeito, da hierarquia e da essência humana.
O caráter não nasce por acaso. Ele nasce do exemplo. Do pai que cumpre a palavra. Da mãe que ensina o limite. Do professor que tem autoridade. Do cidadão que entende que liberdade sem responsabilidade é destruição. Quando tiram Deus da base do homem, quando zombam da família, quando invertem o certo e o errado, não sobra nada além do caos. E o que vemos hoje é exatamente isso: um mundo “livre”, mas sem caráter; cheio de leis, mas sem valores; que fala de direitos, mas esqueceu os deveres. E quando o dever desaparece, a criação inteira se perde. Simples assim.
Mario Caetano de Souza-Mário Plaka



