A COLCHA DE RETALHOS DA REPÚBLICA – Agora diz que soberano é o PGR…

Aquela velha música falava de uma colcha de retalhos costurada na pobreza, que serviu de abrigo quando não havia nada além do frio, da simplicidade e da dignidade de quem lutava com o pouco que tinha. Hoje, o Brasil vive a mesma metáfora — mas ao contrário. A colcha de retalhos virou a Constituição Federal; e, onde deveria haver abrigo e proteção, colocaram furos, remendos, puxadinhos jurídicos e interesses escusos.
Fizeram uma Constituição como quem costura no escuro: pedaço em pedaço, emenda sobre emenda, concessão sobre concessão. E, no meio disso, empurraram para dentro do Congresso homens e mulheres sem preparo, sem leitura de Estado, sem senso de soberania, escolhidos por ilusões criadas por marqueteiros e manipuladores. Gente conduzida por gente pior ainda.
E agora, essa colcha de retalhos virou o pano de fundo perfeito para que ministros, ao bel-prazer, passem a tesoura, recortem o que querem e costurem de novo o trecho que lhes interessa.
De sentença em sentença, o país é enredado por fios que ninguém votou, por costuras que ninguém autorizou.
E a soberania?
Virou frangalho.
Estamos à beira de uma convulsão social, e ninguém no topo parece perceber — porque quem vive em palácio não sente a ventania que derruba barracos. Os de cima têm suas colchas de cetim: salários vitalícios, planos de saúde VIP, carros oficiais, diárias, viagens internacionais e palcos para discursos moralistas.
Enquanto isso, o povo aqui embaixo treme de frio.
A metáfora da música é perfeita: o povo é o corpo enfermo.
O povo sente a febre da fome.
O povo sente o calafrio do desemprego.
O povo sente a dor de ver impostos subirem enquanto a dignidade cai.
E aqueles que deveriam proteger a Nação — estes sim, dormem aquecidos em cetim.
Olhe o que está acontecendo agora: Gilmar Mendes, segundo a representação de partidos como Solidariedade e outros, caminha para dizer que apenas a PGR pode apresentar parecer em processos envolvendo ministro do Supremo. Ora… onde está na Constituição Federal que o Senado deve ser enfeite, bibelô, vaso de porcelana no canto do gabinete?
Onde está escrito que o Senado — que SABATINA, APROVA e DÁ A CANETA ao ministro — não pode analisar suas condutas?
Quando o país chega à beira do abismo, começa a espernear juridicamente. É sempre assim: primeiro rasgam a colcha de retalhos; depois reclamam do frio.
A verdade é dura:
O PGR no Brasil não tem independência.
Não tem autonomia.
Não tem pulso.
Não tem coragem.
Há anos, sua atuação se molda aos interesses de quem realmente manda — e o povo fica de lado, assistindo suas leis serem esticadas, dobradas, tortas, reinterpretadas, reescritas e, por fim, abandonadas.
A Constituição virou uma colcha de cetim para os poderosos — lisa, confortável, macia. Mas para o povo, restou apenas o frio.
O frio de hospitais sucateados.
O frio da escola caída aos pedaços.
O frio do desemprego e das dívidas.
O frio de ver ministros, governantes e a elite política viajando, sorrindo, gastando, enquanto famílias fazem vaquinha para comprar remédio.
Hoje eu perdi um amigo que morreu esperando uma cirurgia que só saiu por ordem judicial — e tarde demais. Isso é a prova viva do que estamos nos tornando: um Estado que não protege ninguém, mas se protege de todos.
E quando o povo finalmente sentir esse frio — o frio que corrói os ossos da alma — vai lembrar da colcha que tinha, da Constituição que deveria aquecê-lo, e de quem destruiu cada ponto, cada linha, cada remendo.
Porque os mandatários, quando a convulsão vier, vão entrar no avião.
Vão fugir.
Vão posar de inocentes em outro país.
E o povo ficará sozinho — como sempre.
Chegou a hora do Senado, da Câmara, dos juristas e do povo brasileiro gritarem um BASTA que ecoe como tempestade:
Não aceitamos imposições.
Não aceitamos distorções.
Não aceitamos mais remendos.
Porque esta Nação não foi costurada para servir aos donos do cetim.
Foi costurada com o suor, o sangue e as dores do povo.
E quem ignora isso, corre o risco de enfrentar o inverno que ele mesmo criou.
— Ouvidoria Popular Mario Plaka



